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O que é a PHDA?

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se inicia na infância e pode persistir na adolescência e na idade adulta.

Caracteriza-se por dificuldades persistentes na regulação da atenção, controlo dos impulsos e/ou nível de actividade, com impacto significativo no funcionamento académico, profissional, familiar, social ou quotidiano. A apresentação varia muito de pessoa para pessoa – algumas têm sobretudo dificuldades de atenção e organização, outras apresentam maior impulsividade e inquietação, e muitas combinam características de ambos os grupos.

Na idade adulta, a PHDA nem sempre se manifesta como hiperatividade evidente. Pode traduzir-se em dificuldade em iniciar ou concluir tarefas, procrastinação, desorganização, esquecimentos frequentes, dificuldade em gerir o tempo, tendência para perder o foco em tarefas pouco estimulantes, impulsividade ou sensação persistente de inquietação interna.

A PHDA não corresponde simplesmente a falta de concentração, preguiça ou falta de esforço. O diagnóstico exige que exista um padrão persistente de sintomas, com início durante o desenvolvimento, presente em mais do que um contexto e suficientemente significativo para interferir com o funcionamento da pessoa.

Embora a atenção seja uma das dimensões mais conhecidas, a PHDA envolve também dificuldades de funções executivas, como planeamento, organização, memória de trabalho, controlo inibitório e regulação do comportamento. A avaliação deve ainda distinguir a PHDA de outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, perturbações do sono ou outras condições do neurodesenvolvimento.

Na classificação actual, distinguem-se apresentações predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva e combinada (American Psychiatric Association, 2022).

Como se diagnostica no adulto?

O diagnóstico de PHDA no adulto é clínico e deve ser realizado por um profissional com experiência na avaliação desta perturbação. Não existe um exame, análise laboratorial ou teste isolado que permita confirmar o diagnóstico.

A avaliação procura perceber se existe um padrão persistente de dificuldades de atenção, impulsividade e/ou hiperatividade, com início na infância e impacto significativo em diferentes áreas da vida, como o trabalho, os estudos, as relações ou a organização do quotidiano.

Habitualmente, são explorados o percurso escolar e profissional, o funcionamento atual, a história de desenvolvimento e a presença de sintomas em diferentes contextos. Sempre que possível, pode ser útil complementar a informação com dados de familiares, boletins escolares ou outros elementos da história passada.

A entrevista clínica pode ser complementada por escalas e instrumentos validados, como a DIVA-5, que ajudam a sistematizar a presença de sintomas na infância e na idade adulta. Estes instrumentos apoiam a avaliação, mas não substituem o diagnóstico clínico.

Também é essencial fazer diagnóstico diferencial, porque dificuldades semelhantes podem surgir em situações como ansiedade, depressão, perturbações do sono, consumo de substâncias, perturbação bipolar, trauma ou outras condições do neurodesenvolvimento.

O diagnóstico resulta, por isso, da integração entre história clínica, sintomas actuais, início durante o desenvolvimento, impacto funcional e exclusão de explicações alternativas, de acordo com os critérios diagnósticos estabelecidos (American Psychiatric Association, 2022).

Como se trata?

O tratamento da PHDA deve ser individualizado, tendo em conta a intensidade dos sintomas, o impacto no quotidiano, a presença de outras perturbações e as preferências da pessoa. Pode incluir tratamento farmacológico, intervenção psicológica e adaptações do ambiente profissional, académico ou familiar.

Quando os sintomas provocam prejuízo significativo, a medicação constitui uma das intervenções com maior evidência de eficácia, sobretudo para os sintomas nucleares de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Os fármacos mais utilizados incluem estimulantes, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, e, em determinadas situações, medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina. Uma grande meta-análise recente confirmou eficácia a curto prazo dos estimulantes e da atomoxetina na PHDA do adulto (Ostinelli et al., 2025).

A psicoterapia, particularmente intervenções estruturadas e adaptadas à PHDA, pode ajudar na organização, gestão do tempo, procrastinação, regulação emocional, impulsividade, autoestima e desenvolvimento de estratégias para lidar com dificuldades executivas. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens mais estudadas e pode ser utilizada isoladamente ou associada à medicação, consoante as necessidades clínicas.

Também podem ser importantes a psicoeducação, a criação de rotinas e sistemas externos de organização, adaptações no trabalho ou estudo, exercício físico regular e tratamento de problemas associados, como ansiedade, depressão ou perturbações do sono.

O objetivo do tratamento não é modificar a personalidade da pessoa nem eliminar todas as características associadas à PHDA, mas reduzir o impacto dos sintomas, melhorar o funcionamento e desenvolver estratégias que permitam uma vida mais sustentável e compatível com o seu modo de funcionamento. As recomendações clínicas actuais defendem um plano terapêutico partilhado e ajustado às necessidades de cada adulto (NICE, 2018).

É sempre necessário medicar?

Não. Nem todas as pessoas com PHDA precisam de medicação. A decisão depende da intensidade dos sintomas, do impacto no funcionamento, das dificuldades presentes no dia-a-dia, da existência de outras condições clínicas e das preferências da própria pessoa.

Em alguns adultos, estratégias de organização, adaptações no trabalho ou estudo, psicoeducação e psicoterapia podem ser suficientes, sobretudo quando os sintomas são ligeiros ou bem compensados.

Quando existe prejuízo funcional significativo, a medicação pode ter um papel importante e é uma das intervenções com melhor evidência para reduzir os sintomas nucleares da PHDA, como desatenção, impulsividade e hiperatividade. A decisão deve ser feita individualmente, após avaliação médica, ponderando benefícios, efeitos adversos e contra-indicações.

Também não é obrigatório que o tratamento farmacológico seja permanente. A necessidade, a dose e a continuidade da medicação devem ser reavaliadas ao longo do tempo, de acordo com a evolução clínica e com os objectivos da pessoa.

O tratamento da PHDA é, por isso, melhor entendido como um plano multimodal e individualizado, e não como uma escolha automática entre “medicar” ou “não medicar”.

Pode ser diagnosticada pela primeira vez em idade adulta?

Sim. Muitas pessoas só recebem o diagnóstico de PHDA na idade adulta, sobretudo quando as dificuldades se tornam mais evidentes perante maiores exigências académicas, profissionais, familiares ou de organização do quotidiano.

No entanto, a PHDA é uma perturbação do neurodesenvolvimento. Por isso, para estabelecer o diagnóstico, é necessário demonstrar que existiam sintomas compatíveis já durante a infância, mesmo que nessa altura não tenham sido reconhecidos ou tenham sido compensados por bom desempenho académico, elevada estrutura familiar ou estratégias pessoais.

A avaliação no adulto procura, por isso, reconstruir a história de desenvolvimento através da entrevista clínica e, sempre que possível, de informação de familiares, registos escolares ou outros elementos retrospectivos. Os critérios actuais exigem que vários sintomas estivessem presentes antes dos 12 anos (American Psychiatric Association, 2022).

Que outras condições podem existir juntamente com a PHDA?

A PHDA pode coexistir com várias outras condições, sendo frequente encontrar perturbações de ansiedade, depressão, perturbações do sono, perturbações da aprendizagem e perturbações relacionadas com o uso de substâncias.

Também pode coexistir com outras condições do neurodesenvolvimento, nomeadamente autismo, dificuldades específicas de aprendizagem ou perturbações da coordenação motora. Em algumas pessoas podem ainda surgir problemas de regulação emocional, perturbações do comportamento alimentar ou outras perturbações psiquiátricas.

A presença de mais do que uma condição é clinicamente relevante porque pode modificar a forma como os sintomas se apresentam e influenciar a escolha do tratamento. Por exemplo, ansiedade, depressão, privação de sono ou perturbação bipolar podem provocar dificuldades de concentração ou impulsividade semelhantes às observadas na PHDA.

Por isso, a avaliação diagnóstica não procura apenas confirmar a presença de PHDA, mas também perceber se existem outras condições associadas ou explicações alternativas para os sintomas (American Psychiatric Association, 2022).

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