Perturbação do Desenvolvimento Intelectual
A intervenção é habitualmente multidisciplinar e adaptada ao perfil de funcionamento da pessoa. Pode incluir treino de competências adaptativas e de autonomia, terapia da fala, terapia ocupacional, apoio educativo, desenvolvimento de competências sociais e comunicacionais e apoio à integração escolar, profissional e comunitária.
Quando existem dificuldades comportamentais significativas, é importante perceber a função do comportamento e intervir também sobre fatores ambientais, comunicacionais ou sensoriais que o possam desencadear ou manter. Intervenções comportamentais podem ser eficazes no desenvolvimento de competências de comunicação, autonomia e aprendizagem (Ho et al., 2020).
A psicoterapia pode ser utilizada para problemas como ansiedade, depressão ou regulação emocional, desde que seja adaptada às capacidades cognitivas e comunicacionais da pessoa. Não existe medicação para tratar a perturbação do desenvolvimento intelectual em si; a medicação é utilizada quando existem condições associadas que a justifiquem.
Perturbações da Comunicação
O tratamento depende da dificuldade específica e é realizado sobretudo através de terapia da fala.
Nas perturbações dos sons da fala são utilizadas intervenções fonológicas e articulatórias. Na gaguez, a terapia pode incluir estratégias dirigidas à fluência, modificação da gaguez e ao impacto emocional e comunicacional que esta provoca. O objetivo não tem necessariamente de ser eliminar toda a disfluência, mas permitir uma comunicação eficaz e reduzir o sofrimento ou evitamento associado.
Discalculia
A intervenção é essencialmente educativa e especializada, trabalhando diretamente as competências matemáticas em dificuldade.
Perturbação Específica da Aprendizagem com défice na expressão escrita
A intervenção depende da natureza da dificuldade. Pode envolver trabalho específico sobre ortografia, correspondência entre sons e grafemas, construção frásica, gramática, organização de ideias, planeamento e revisão do texto.
Quando existe uma componente motora importante na escrita manual, pode ser útil uma avaliação por terapia ocupacional.
Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação ou dispraxia
A intervenção é realizada sobretudo através de terapia ocupacional e fisioterapia, incidindo nas atividades concretas que a pessoa necessita de realizar.
O exercício e a atividade física devem ser incentivados, adaptando as exigências às capacidades da pessoa. Na escola ou no trabalho podem ser necessárias adaptações do tempo, dos instrumentos utilizados ou da forma de executar determinadas tarefas.
Perturbação de Movimentos Estereotipados
Nem todos os movimentos estereotipados necessitam de intervenção. Se não provocarem lesão, sofrimento ou interferência relevante no funcionamento, pode não existir qualquer razão clínica para os tentar suprimir.
Quando existe impacto significativo, deve primeiro compreender-se quando, onde e por que razão o comportamento ocorre. As abordagens comportamentais são as mais estudadas e podem incluir modificação dos antecedentes, enriquecimento ambiental, reforço de comportamentos alternativos e outras estratégias baseadas na função do comportamento (Rapp & Vollmer, 2005; Katherine, 2018).
Nos movimentos autolesivos, a prioridade é prevenir lesões e identificar fatores médicos, sensoriais, ambientais ou comunicacionais que possam estar envolvidos.
Perturbações de tiques e Síndrome de Tourette
Nem todas as pessoas com tiques precisam de tratamento. Quando os tiques não provocam sofrimento ou prejuízo funcional significativo, psicoeducação e acompanhamento podem ser suficientes, já que a intensidade dos tiques pode variar ao longo do tempo.
Quando é necessária intervenção, uma das opções de primeira linha é a CBIT — Comprehensive Behavioral Intervention for Tics, que inclui treino de reversão do hábito e estratégias para reconhecer e gerir situações associadas ao aparecimento dos tiques. As recomendações da American Academy of Neurology favorecem a CBIT como primeira opção quando está disponível (Pringsheim et al., 2019).
Em casos com maior impacto podem ser utilizados medicamentos. Clonidina ou guanfacina podem ser particularmente úteis quando coexistem tiques e PHDA. Em situações seleccionadas podem ser utilizados medicamentos como aripiprazol ou risperidona, após ponderação dos potenciais efeitos adversos. Existem ainda outras opções para casos específicos e, em situações muito graves e resistentes, tratamentos especializados como estimulação cerebral profunda.
Também é importante avaliar e tratar condições frequentemente associadas à Síndrome de Tourette, como PHDA, perturbação obsessivo-compulsiva, ansiedade ou perturbações do humor.