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O que é o Mindfulness?

Vivemos vidas ocupadas. Desde o momento em que acordamos, somos bombardeados por tarefas que precisam de ser concluídas. Preparamos o pequeno-almoço, vamos para o trabalho ou para a escola, fazemos deslocações enquanto ouvimos música, falamos ao telefone ou jogamos. Tudo isto exige muitos recursos mentais, por isso a nossa mente, extraordinariamente adaptável, aprende a funcionar em piloto automático.

Este funcionamento em piloto automático é eficiente, mas tem um custo. Já reparou verdadeiramente em quão descansado está, em como o seu pequeno-almoço sabe bem, ou na beleza das flores no caminho para o trabalho? O piloto automático deixa a mente vaguear e, muitas vezes, esse vaguear conduz a pensamentos de medo, preocupação, ansiedade ou apreensão.

É aqui que entra a competência de mindfulness.

O mindfulness consiste em recuperar alguma capacidade de escolha sobre a atenção e focá-la no que está a acontecer agora, sem julgamento. Concentrar-se no presente ajuda a desviar a atenção de pensamentos geradores de ansiedade, que geralmente estão enraizados no passado ou no futuro.

Mindfulness como Skill

A Terapia Comportamental Dialética integra quatro módulos fundamentais, sendo o mindfulness o elemento de base. Este componente é frequentemente o ponto de partida da terapia, pois fornece os alicerces necessários para o desenvolvimento dos restantes três módulos: tolerância ao mal-estar, regulação emocional e eficácia interpessoal.

Ao começar pelo treino de competências de mindfulness, o terapeuta cria condições para uma aprendizagem mais eficaz e para uma aplicação mais consistente dos outros conceitos centrais da DBT.

Que skills de Mindfulness são ensinadas?

Na Terapia Comportamental Dialética, o mindfulness é ensinado através de dois grandes grupos de competências: as competências “O quê” e as competências “Como”.

As competências “O quê” ajudam a perceber o que fazer para praticar mindfulness. As competências “Como” mostram de que forma essa prática deve ser aplicada no dia a dia.

Competências “O quê”

As competências “O quê” dizem respeito às acções centrais da prática de mindfulness: observar, descrever e participar.

Observar

Observar significa prestar atenção à experiência presente tal como ela surge, sem a filtrar, julgar ou tentar modificar. Pode incluir sensações físicas, pensamentos, emoções, sons, imagens, impulsos ou acontecimentos externos.

Nesta competência, a pessoa aprende a reparar no que está a acontecer, dentro e fora de si, antes de reagir automaticamente.

Alguns exercícios utilizados nesta área incluem:

Observar
Praticar a observação de algo sem tentar alterá-lo.

Scan mente-corpo
Prestar atenção às sensações físicas presentes nas diferentes zonas do corpo.

Interno versus externo
Aprender a distinguir entre sensações internas, como tensão, respiração ou batimento cardíaco, e estímulos externos, como sons, luz, temperatura ou movimento.

Descrever

Descrever significa colocar em palavras aquilo que se observa. Em vez de se fundir com a experiência, a pessoa aprende a nomeá-la de forma clara, factual e sem julgamento.

Por exemplo, em vez de dizer “isto é horrível” ou “não devia sentir isto”, pode aprender a dizer: “estou a notar ansiedade”, “há tensão no peito” ou “surgiu um pensamento de preocupação”.

Alguns exercícios utilizados nesta competência incluem:

Descrever as emoções
Identificar e nomear emoções de forma factual, precisa e não julgadora.

Rotulagem mental
Dar um nome simples ao que surge na mente, como “pensamento”, “memória”, “preocupação”, “sensação” ou “impulso”.

Participar

Participar significa envolver-se plenamente na actividade presente, com atenção inteira e sem estar excessivamente autoconsciente ou dividido.

Nesta competência, a pessoa pratica estar verdadeiramente presente naquilo que está a fazer, seja conversar, caminhar, comer, trabalhar, estudar ou realizar uma tarefa simples do quotidiano.

Competências “Como”

As competências “Como” dizem respeito à forma como se pratica mindfulness: com uma mente de cada vez, de forma eficaz e sem julgamento.

Uma coisa de cada vez

Esta competência consiste em fazer uma coisa de cada vez, com atenção plena. Em vez de dividir constantemente a atenção entre várias tarefas, pensamentos e estímulos, a pessoa aprende a regressar ao momento presente e à actividade que está a realizar.

Alguns exercícios utilizados nesta área incluem:

Desfusão dos pensamentos
Aprender a relacionar-se com os pensamentos de modo a não ficar preso a eles, permitindo manter-se presente e focado numa coisa de cada vez.

Respiração consciente
Usar a respiração como ponto de ancoragem, cultivando a capacidade de estar plenamente envolvido numa única actividade: respirar.

Eficácia

Ser eficaz significa focar-se naquilo que funciona e fazer o que é necessário na situação concreta, em vez de agir apenas com base no impulso emocional do momento.

Esta competência não pergunta “quem tem razão?” ou “como é que isto devia ser?”, mas sim: “o que é mais útil agora?”, “o que ajuda nesta situação?” e “qual é a resposta mais adequada aos meus objectivos e valores?”.

Um exercício central nesta área é:

Mente sábia
Aprender a equilibrar a mente lógica e a mente emocional, de forma a tomar decisões mais ponderadas, flexíveis e ajustadas à realidade.

Sem julgamento

Praticar mindfulness sem julgamento significa observar a realidade como ela é, sem acrescentar imediatamente rótulos como “bom”, “mau”, “certo”, “errado”, “justo” ou “injusto”.

Isto não significa aprovar tudo ou deixar de ter discernimento. Significa, antes, aprender a separar os factos das interpretações automáticas, reduzindo reacções impulsivas e aumentando a clareza.

Alguns exercícios utilizados nesta competência incluem:

Julgamentos negativos
Reconhecer julgamentos negativos quando surgem e aprender a observá-los sem ficar preso a eles.

Deixar ir os julgamentos
Praticar activamente a libertação de pensamentos julgadores, regressando à experiência tal como ela é.

Como ajudam estas técnicas de mindfulness?

As técnicas de mindfulness ensinadas na DBT têm um papel importante no desenvolvimento da capacidade de regular emoções, lidar com o stress e melhorar as relações interpessoais.

Ao cultivar uma consciência mais atenta do momento presente, a pessoa aprende a observar e a descrever os seus pensamentos e sentimentos sem julgamento. Esta maior consciência é essencial para interromper o ciclo de padrões automáticos de pensamento, muitas vezes negativos, que podem intensificar o sofrimento emocional.

Benefícios do mindfulness

Mesmo quando não existe necessidade de psicoterapia, a prática de mindfulness no dia a dia pode trazer benefícios importantes para a saúde mental, para o bem-estar físico e para a qualidade de vida. Eis alguns dos principais benefícios associados à prática regular:

Bem-estar geral

Ao treinar a capacidade de prestar atenção ao que está a acontecer no momento presente, torna-se mais fácil envolver-se nas actividades do dia a dia com maior presença e satisfação. Em vez de ficar preso a preocupações sobre o futuro ou a erros do passado, a pessoa aprende a regressar ao aqui e agora. Isto pode contribuir para menos stress, maior vitalidade, melhor humor e uma relação mais profunda consigo própria e com os outros.

Melhor qualidade do sono

A prática de mindfulness pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, sobretudo ao reduzir pensamentos repetitivos, preocupações e tensão mental antes de adormecer. Ao promover um estado de maior tranquilidade, facilita o relaxamento necessário para um sono mais reparador.

Redução da pressão arterial

O mindfulness tem sido associado à redução da pressão arterial em algumas pessoas, em parte por favorecer a regulação emocional, o controlo da atenção e uma resposta fisiológica mais calma ao stress. Não substitui acompanhamento médico, mas pode ser uma prática complementar útil num estilo de vida saudável.

Gestão da dor

A prática de mindfulness pode ajudar algumas pessoas a lidar melhor com a dor crónica, incluindo condições como fibromialgia, enxaqueca, dor pélvica crónica, síndrome do intestino irritável e outras situações em que a dor tem impacto significativo na qualidade de vida. O objectivo não é “apagar” a dor, mas mudar a relação com ela, reduzindo a luta constante, a tensão e o sofrimento associado.

Maior foco e concentração

Pessoas que praticam mindfulness frequentemente relatam melhorias na capacidade de concentração, na atenção sustentada e na capacidade de regressar à tarefa quando a mente se distrai. Esta competência pode ser útil no trabalho, no estudo, nas relações e nas tarefas quotidianas.

Ajuda no stress, ansiedade e depressão

Vários estudos sugerem que intervenções baseadas em mindfulness podem ajudar a reduzir sintomas de stress, ansiedade e depressão, sobretudo quando praticadas de forma consistente e integradas num plano terapêutico adequado. O mindfulness não elimina emoções difíceis, mas ajuda a observá-las com maior clareza e menor reactividade.

Controlo do peso e comportamento alimentar

O mindfulness também pode ser útil na relação com a alimentação. Ao aumentar a consciência dos sinais de fome, saciedade, impulso e emoção, pode ajudar a reduzir episódios de ingestão compulsiva, alimentação emocional e padrões alimentares excessivamente restritivos. A pessoa aprende a comer com mais presença, menos automatismo e maior atenção ao corpo.

Mindfulness na DBT

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