Na Terapia Comportamental Dialética, o mindfulness é ensinado através de dois grandes grupos de competências: as competências “O quê” e as competências “Como”.
As competências “O quê” ajudam a perceber o que fazer para praticar mindfulness. As competências “Como” mostram de que forma essa prática deve ser aplicada no dia a dia.
Competências “O quê”
As competências “O quê” dizem respeito às acções centrais da prática de mindfulness: observar, descrever e participar.
Observar
Observar significa prestar atenção à experiência presente tal como ela surge, sem a filtrar, julgar ou tentar modificar. Pode incluir sensações físicas, pensamentos, emoções, sons, imagens, impulsos ou acontecimentos externos.
Nesta competência, a pessoa aprende a reparar no que está a acontecer, dentro e fora de si, antes de reagir automaticamente.
Alguns exercícios utilizados nesta área incluem:
Observar
Praticar a observação de algo sem tentar alterá-lo.
Scan mente-corpo
Prestar atenção às sensações físicas presentes nas diferentes zonas do corpo.
Interno versus externo
Aprender a distinguir entre sensações internas, como tensão, respiração ou batimento cardíaco, e estímulos externos, como sons, luz, temperatura ou movimento.
Descrever
Descrever significa colocar em palavras aquilo que se observa. Em vez de se fundir com a experiência, a pessoa aprende a nomeá-la de forma clara, factual e sem julgamento.
Por exemplo, em vez de dizer “isto é horrível” ou “não devia sentir isto”, pode aprender a dizer: “estou a notar ansiedade”, “há tensão no peito” ou “surgiu um pensamento de preocupação”.
Alguns exercícios utilizados nesta competência incluem:
Descrever as emoções
Identificar e nomear emoções de forma factual, precisa e não julgadora.
Rotulagem mental
Dar um nome simples ao que surge na mente, como “pensamento”, “memória”, “preocupação”, “sensação” ou “impulso”.
Participar
Participar significa envolver-se plenamente na actividade presente, com atenção inteira e sem estar excessivamente autoconsciente ou dividido.
Nesta competência, a pessoa pratica estar verdadeiramente presente naquilo que está a fazer, seja conversar, caminhar, comer, trabalhar, estudar ou realizar uma tarefa simples do quotidiano.
Competências “Como”
As competências “Como” dizem respeito à forma como se pratica mindfulness: com uma mente de cada vez, de forma eficaz e sem julgamento.
Uma coisa de cada vez
Esta competência consiste em fazer uma coisa de cada vez, com atenção plena. Em vez de dividir constantemente a atenção entre várias tarefas, pensamentos e estímulos, a pessoa aprende a regressar ao momento presente e à actividade que está a realizar.
Alguns exercícios utilizados nesta área incluem:
Desfusão dos pensamentos
Aprender a relacionar-se com os pensamentos de modo a não ficar preso a eles, permitindo manter-se presente e focado numa coisa de cada vez.
Respiração consciente
Usar a respiração como ponto de ancoragem, cultivando a capacidade de estar plenamente envolvido numa única actividade: respirar.
Eficácia
Ser eficaz significa focar-se naquilo que funciona e fazer o que é necessário na situação concreta, em vez de agir apenas com base no impulso emocional do momento.
Esta competência não pergunta “quem tem razão?” ou “como é que isto devia ser?”, mas sim: “o que é mais útil agora?”, “o que ajuda nesta situação?” e “qual é a resposta mais adequada aos meus objectivos e valores?”.
Um exercício central nesta área é:
Mente sábia
Aprender a equilibrar a mente lógica e a mente emocional, de forma a tomar decisões mais ponderadas, flexíveis e ajustadas à realidade.
Sem julgamento
Praticar mindfulness sem julgamento significa observar a realidade como ela é, sem acrescentar imediatamente rótulos como “bom”, “mau”, “certo”, “errado”, “justo” ou “injusto”.
Isto não significa aprovar tudo ou deixar de ter discernimento. Significa, antes, aprender a separar os factos das interpretações automáticas, reduzindo reacções impulsivas e aumentando a clareza.
Alguns exercícios utilizados nesta competência incluem:
Julgamentos negativos
Reconhecer julgamentos negativos quando surgem e aprender a observá-los sem ficar preso a eles.
Deixar ir os julgamentos
Praticar activamente a libertação de pensamentos julgadores, regressando à experiência tal como ela é.