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O que é a dislexia?

A dislexia é uma dificuldade específica e persistente na aprendizagem da leitura, de origem neurobiológica, que afeta sobretudo a precisão, fluência e automatização da leitura, bem como a descodificação das palavras e, frequentemente, a ortografia.

Pode manifestar-se por leitura mais lenta ou esforçada, trocas ou omissões de sons e letras, dificuldade em reconhecer palavras com rapidez, problemas na associação entre letras e sons e maior esforço em tarefas que envolvem leitura e escrita.

A dislexia não resulta de falta de inteligência, falta de motivação, problemas de visão ou ensino inadequado. Uma pessoa com dislexia pode ter capacidades cognitivas normais ou elevadas e apresentar dificuldades especificamente relacionadas com o processamento da linguagem escrita.

Embora seja habitualmente identificada durante a infância, pode persistir na adolescência e na idade adulta. Com estratégias adequadas, adaptações e intervenção especializada, muitas pessoas desenvolvem formas eficazes de compensar as dificuldades.

No DSM-5-TR, a dislexia enquadra-se na Perturbação Específica da Aprendizagem, com défice na leitura (American Psychiatric Association, 2022).

Está associada a outros diagnósticos?

Sim. A dislexia pode coexistir com outras condições do neurodesenvolvimento e com algumas perturbações emocionais. A associação mais bem estabelecida é com a PHDA, mas também pode ocorrer em conjunto com outras dificuldades específicas da aprendizagem, como discalculia, dificuldades da expressão escrita, perturbação do desenvolvimento da linguagem e perturbação do desenvolvimento da coordenação. A coexistência entre diferentes condições do neurodesenvolvimento é relativamente frequente (Pham & Riviere, 2015; Kadesjö et al., 2021).

Também podem coexistir características ou diagnósticos do espetro do autismo, embora a relação seja mais heterogénea e não signifique que a presença de uma das condições implique necessariamente a outra (Kadesjö et al., 2021).

Além disso, crianças e adultos com dificuldades persistentes de leitura podem apresentar ansiedade, sintomas depressivos, baixa autoestima ou evitamento de situações académicas e profissionais, por vezes como consequência do impacto acumulado das dificuldades de aprendizagem (Hendren et al., 2018).

Por isso, a avaliação da dislexia não deve limitar-se à leitura e à escrita. É importante compreender o perfil global de funcionamento, identificar outras dificuldades associadas e perceber quais delas requerem intervenção específica.

Como se trata?

A dislexia não tem um “tratamento” farmacológico nem corresponde a uma condição que tenha de ser curada. A intervenção procura melhorar as competências de leitura e escrita e desenvolver estratégias que reduzam o impacto das dificuldades no dia-a-dia.

As intervenções com melhor suporte científico são estruturadas, explícitas, sistemáticas e progressivas, trabalhando competências como consciência fonológica, correspondência entre sons e letras, descodificação, reconhecimento de palavras, ortografia, fluência e compreensão da leitura. A investigação mostra que estas intervenções produzem melhorias significativas nas competências de leitura, sobretudo quando são suficientemente intensivas e adaptadas ao perfil individual (Galuschka et al., 2014; Hall et al., 2023; Al Otaiba et al., 2023).

A intervenção deve partir das dificuldades específicas identificadas na avaliação. Algumas pessoas necessitam sobretudo de trabalhar descodificação e fluência, enquanto noutras o maior impacto pode estar na ortografia, expressão escrita ou compreensão.

Na adolescência e idade adulta, podem ser igualmente importantes estratégias compensatórias e adaptações académicas ou profissionais, como maior tempo para tarefas escritas, utilização de leitores de texto, software de reconhecimento de voz, materiais digitais ou formas alternativas de apresentação da informação.

A dislexia pode acompanhar a pessoa ao longo da vida, mas uma intervenção adequada e as adaptações certas podem reduzir significativamente o seu impacto no funcionamento académico, profissional e quotidiano.

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